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Rio e turismo: como ter um olhar mais positivo sobre a cidade?

Pessoas conversando

Em um momento de crise é complicado olhar o lado bom de uma situação. Como ser otimista se parece que o universo está conspirando contra nós? O Rio — e o Brasil — vive um momento de crise e muitas vezes ouço pessoas reclamando e reclamando, até que me questionei: ‘O que estamos fazendo para mudar?’

LEIA MAIS: Como e por que ser turista na própria cidade?

Detesto só reclamar de uma situação. Para mim, problemas existem para serem resolvidos e se você não está satisfeito com algo MUDE. Pensando dessa forma, durante a viagem por Brumadinho, conversando com os participantes que moravam no Rio, surgiu a ideia de fazermos uma roda de conversa sobre a cidade. Na ocasião, o governo tinha acabado de anunciar a intervenção federal, e tínhamos (quem estava na viagem) em comum a insatisfação sobre os rumos que a cidade vinha tomando.

Depois de algumas desistências e de muito pensar em como realizar isso, sobrou eu e Mari (do Mariana Viaja) e a ideia de falarmos sobre como o turismo poderia nos ajudar a ter um olhar mais positivo pela cidade. Um desafio e tanto, né? 

Pessoas posam para foto

Participantes da roda de conversa ‘Rio, eu gosto tanto de você’

 

Como falei acima, em um momento de crise, quem é que quer falar sobre coisas boas? É humano olhar para o lado negativo. Mas, nessas horas é preciso ativar o lado racional do cérebro e também saber enxergar as oportunidades. Um vez li que enquanto uns reclamam da crise outros fazem acontecer, já que esse momento pode ser uma possibilidade de MUDANÇA. Ouvi isso e guardei. E desde então, sempre que tô em um momento que não tá bacana, penso nisso: que preciso e posso fazer diferente.

A roda

A roda aconteceu nesse domingo (10), no Tupiniquim Hostel, em Botafogo. Além de mim e da Mari, contamos também com a participação da Gabriela Palma, idealizadora do projeto Sou + Carioca.

Mais do que querer apresentar soluções, tentamos explorar o lado positivo do Rio, sem glamorizarão e alienação. A ideia não era fechar os olhos para o que acontece de ruim. E sim, olhar por outro viés. Nós temos muitos problemas, mas também somos tão ricos. Temos tanta história, tanta cultura, temos um povo acolhedor e empático. E porque não valorizamos isso? 

Cristo Redentor

Cristo Redentor visto do terraço do Tupiniquim Hostel

 

Foi lindo vê cada participante da roda contando sua relação com o Rio e como eles contribuem ou contribuíram para uma cidade mais positiva. Rimos, debatemos, falamos do Rio Zona Sul, do Zona Norte, da Baixada, do Rio que somos e do que podemos ser… Minhas esperanças foram renovadas em ver tanta gente boa e determinada trabalhando para as coisas serem melhores. Então fica a lição, não desanime! Toda situação, por mais negativa que pareça, sempre tem um lado bom.

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Beijos,

Kari.

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10 In Mais recentes/ O que fazer no Rio/ Rio de Janeiro

‘Tour Doces Histórias’ | Entenda a história dos doces no Brasil

Doces

Passear pelo Rio de Janeiro já é bacana. Passear pelo Rio, comer doces e aprender mais sobre a história dessas guloseimas é melhor ainda. Foi com essa sensação de coisa boa que participei do tour Doces Histórias, organizado pelo Sou+Carioca.

Já falei do pessoal da Sou+Carioca no post do passeio para a Pedra Bonita. Fica a dica caso você queira saber mais sobre o trabalho deles…

Mas, voltando aos doces. O tour apresenta a trajetória dos doces no Brasil e o cenário é as ruas do Centro do Rio, que respiram história. O passeio começa na Cinelândia. Lá a guia Raquel nos fez recomendações de segurança, como ter cuidado na hora de atravessar a rua, respeitar o tempo do grupo, ter cuidado com equipamentos fotográficos, etc, além de nos dar um panorama de como tudo começou. Nessa hora, ela nos falou sobre a importância do açúcar para o crescimento da colonia, sempre relacionado com a ideia da criação do doce.

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Em seguida, fomos rumo à Praça VX onde ouvimos curiosidades de como os doces se popularizaram. Segundo a Raquel, muitos dos doces que comemos hoje foram “inventados” no Convento do Carmo, que fica ao lado do Paço Imperial. Como o Convento precisava de dinheiro, os doces que os internos preparavam eram vendidos e acabaram se espalhando pela cidade.

Depois passamos pelo Beco dos Barbeiros e a Rua do Ouvidor, duas ruas super importantes.
Por fim, a hora mais doce. Visitamos as confeitarias Colombo, Itajaí, Cavé e Manon. Em cada parada, ouvimos mais sobre a história de cada uma. Era dado um tempo para quem quisesse entrar e provar os doces em cada confeitaria. O que você vai comer não está incluso no valor passeio.

LEIA MAIS: Manual de sobrevivência: Carnaval no Rio de Janeiro

Uma aula de história dos doces

Confeitaria Colombo

A Colombo é a representação perfeita da Belle Époque carioca, em que a moda era ser “francês”. Fundada em 1894 é a mais famosa confeitaria carioca. Recebeu clientes ilustres como Chiquinha Gonzaga, Machado de Asis, Lima Barreto, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Alberto I da Bélgica, Isabel II do Reino Unido, entre outros.

Atualmente, a Colombo tem quatro filiais: a do Centro, a mais antiga; a do forte de Copacabana; a do Aeroporto do Galeão; e a do Centro Cultural do Banco do Brasil. 

Doces da Confeitaria Colombo: pastel de nata e bomba de chocolate

Chefe confeiteiro da Colombo, Thiago Faro, conversa conosco sobre como é trabalhar em uma das mais tradicionais confeitarias do Rio. Segundo ele, em baixa temporada são produzidos cerca de 1.300 doces. Na alta temporada o número dobra. A filial do Centro abastece as demais filias

LEIA MAIS: Mirante no Rio: Parque Penhasco Dois Irmãos, no Leblon

Confeitaria Itajaí

Fundada por uma família alemã em 1932, a Itajaí fica na Rua Gonçalves Dias, no Centro do Rio. A confeitaria começou em um prédio estreito, mas se mudou para uma mais espaçosa na mesma rua. Ficou famosa pelas especialidades alemãs como strudels de maçã, bombas de chantilly, ghitas de amêndoas e diversos doces amanteigados. Alguns desses doces são servidos até hoje.

Raquel nos contando um pouco sobre a história da Itajaí

Casa Cavé

A Cavé é a confeitaria em funcionamento mais antiga do Rio. Fundada em 1860 pelo imigrante francês Auguste Charles Felix Cavé foi vendida para portugueses em 1922.

Ocupa os números 133 e 137 da rua Sete de Setembro. Destaque para o sorvete Dina Tereza (Creme, Chantilly e Fios de Ovos – R$ 22,50) feito em homenagem a cantora portuguesa. 

Fachada da Cavé

Confeitaria Manon

A Manon é a mais nova das confeitarias visitadas. Foi fundada em 1942. Em 1993, foi tombada pela Prefeitura do Rio como patrimônio histórico.

O salão da Manon é uma réplica do interior do navio português Cerpa Pinto. Ela também possui espelhos franceses e outros itens originais que nos remete ao passado. Tem como carro-chefe da Casa o doce Madrileñ: pão doce com creme e um toque de goiabada, salpicado com açúcar de confeiteiro. 

Salão da Confeitaria Manon

LEIA MAIS: Visita ao Real Gabinete Português de Leitura, no Centro do Rio

Curiosidades que aprendi no tour

– O açúcar ​era uma especiaria porque era de difícil acesso e caro;

– ​O Convento do Carmo já foi o maior prédio do Rio e a Igreja da Sé, que fica ao lado, já foi a Catedral do Rio;

– Junto com a descoberta do açúcar surgem ​também a canela, o cravo, entre outras especiarias;

– ​Os espanhóis conhecem o chocolate no México. Na ocasião, ele não se parecia com o que conhecemos hoje. Ele era uma bebida aguada que tinha uma função ritualística. Segundo a crença do povo mexicano, a bebida a base de cacau dava força aos guerreiros e fazia uma ligação com o divino;

– Os espanhóis conheceram a bebida através das mulheres das tribos mexicanas e, por conta disso, a bebida chegou na Europa como bebida para senhoras/mulheres, ganhando outro significado;

– ​O primeiro confeito de chocolate surge no Caribe francês e vai dar origem no chocolate que conhecemos hoje;

– O brigadeiro ganhou esse nome nas eleições de 1945. Na época, algumas mulheres vendiam o doce para arrecadar fundos para a campanha do candidato a presidência Eduardo Gomes. Ele usava o slogan “Vote no Brigadeiro que é bonito e solteiro” e esse fato acabou dado nome ao doce mais amado dos brasileiros.

 

*Foto do alto da matéria: Isabela Toscano/Beulasartes

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Kari.

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